Manutenção de Instalações e a Influência da Água na Edificação
Dentro dos processos de manutenção, há um destaque especial para os sistemas HIDROSSANITÁRIO e de IMPERMEABILIZAÇÃO, visto que são importantes para que a edificação atinja sua vida útil.
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- Dacon Engenharia
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- Manutenção de Instalações
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Influência da Água na Degradação do Concreto Armado
Grande parte de todas as manifestações patológicas construtivas das edificações do Brasil são decorrentes da ação direta ou indireta da água mediante os seguintes mecanismos: ação como agente deteriorante; ação como veículo de transporte de substâncias agressivas para dentro do concreto e ação como veículo de transporte de material alcalino de dentro concreto para a sua superfície.
Fatores endógenos e exógenos contribuem para que a edificação possa atingir a sua vida útil esperada, envolvendo todo o processo de produção e utilização da edificação, conforme o modelo denominado PPEEU (Planejamento, Projeto, Execução, Entrega e Uso) idealizado por (Gomide, 2015). Vale salientar que as três primeiras etapas do PPEEU são de responsabilidade exclusiva da construtora, sendo que a etapa de “Uso” é de reponsabilidade do proprietário e a etapa de “Entrega” é de responsabilidade de ambos os agentes.
A etapa de “Uso” se subdivide no processo de utilização do imóvel em si e nos procedimentos de manutenção, devendo o proprietário ou condomínio promover todas as ações necessárias para que a obra atinja a sua expectativa de vida útil. Neste contexto, a manutenção preventiva se torna uma grande aliada para a longevidade da edificação, com baixo custo. Uma obra mesmo sendo planejada, projetada e construída adequadamente, não terá um desempenho esperado, caso não sejam executados todos os procedimento de manutenção preventiva e corretiva.
Sistemas Hidrossanitário e de Impermeabilização
Dentro dos processos de manutenção, há um destaque especial para os sistemas HIDROSSANITÁRIO e de IMPERMEABILIZAÇÃO, visto que são importantes para que a edificação atinja sua vida útil. A manutenção preventiva nesses dois sistemas deverá fazer parte do processo de gestão da manutenção predial, como prioridade, detectando a identificação dos vazamentos e as infiltrações ainda nas fases iniciais, através de vistorias periódicas, onde as avarias são diagnosticadas facilmente e reparadas com baixíssimo custo.
Quando as infiltrações não são tratadas adequadamente, o sistema estrutural é o primeiro que sofre os efeitos deletérios da água, proporcionado corrosão de armaduras com a consequente perda de resistência mecânica e de durabilidade da estrutura.
Mecanismos de Percolação da Água no Concreto
As infiltrações e ação direta da água no concreto armado podem causar muitos problemas em pilares, vigas e lajes, pois a água líquida ao penetrar na estrutura, age como agente deteriorante e veículo de transporte de substâncias agressivas para dentro do próprio concreto.
Por outro lado, quando a água em excesso sai de dentro do concreto, ela pode agir como veículo de transporte dos materiais alcalinos até à superfície, diminuindo o PH e causando a despassivação de armaduras, CRIANDO ASSIM, AS CONDIÇÕES IDEAIS PARA A INSTALAÇÃO E PROPAGAÇÃO DA CORROSÃO.
Os principais mecanismos e fatores deletérios decorrentes da presença de água em quantidade superior ao fator de equilíbrio e sua percolação no concreto armado são a LIXIVIAÇÃO e a EFLORESCÊNCIA, provocando uma redução do PH, diminuição da resistividade elétrica e alteração nociva do potencial elétrico de corrosão, tendo como principal consequência, o SURGIMENTO E/OU PROPAGAÇÃO DA CORROSÃO DE ARMADURAS.

Lixiviação
A lixiviação é o processo no qual a água liquida adentra ao concreto dissolvendo o hidróxido de cálcio Ca(OH)2 e outros materiais alcalinos que percola até a superfície do material onde reage com o com o gás carbônico da atmosfera. Essa reação dá origem a cristais de carbonato de cálcio (CaCO2), denominados de estalactites e estalagmites, que se acumula nas camadas mais externas de forma verticalizada, após a evaporação da água. Mediante essa reação química o PH do concreto pode atingir níveis entre 10,5 a 7,5, despassivando as armaduras e iniciando os processos de corrosão, de acordo com (SOUZA e RIPPER (1998).

Eflorescência
A eflorescência consiste no acúmulo de salinos brancos superficiais no concreto, proveniente da ação capilar ou de outro mecanismo de transporte da água que contêm
os materiais alcalinos dissolvidos, especialmente o hidróxido de cálcio Ca(OH)2. Ao chegar à superfície, esses álcalis reagem com o gás carbônico (CO2) da atmosfera e da origem ao carbonato de cálcio (CaCO2), após a evaporação da água, formando os depósitos de cristais de forma distribuída superficialmente, ao contrário da lixiviação que tem uma atuação mais pontual e verticalizada. Mediante essa reação química o PH do concreto pode atingir níveis entre 10,5 a 7,5, despassivando as armaduras e iniciando os processos de corrosão, de acordo com (SOUZA e RIPPER (1998).

Diminuição da Resistividade Elétrica do Concreto
O acúmulo de água no concreto maior do que a sua taxa de equilíbrio pode proporcionar a diminuição da sua resistividade elétrica, o que aumenta as reações de corrosão de armaduras, visto que, o excesso de água facilita a circulação do fluxo de íons dentro do material. A ELEVADA TAXA DE RESISTIVIDADE ELÉTRICA DO CONCRETO (> 30 KΩ. CM) É UM DOS FATORES QUE CONTROLA O PROCESSO E A PROPAGAÇÃO DA CORROSÃO. Se aumentar a quantidade de água no concreto, diminuirá proporcionalmente o valor da sua resistividade elétrica, AUMENTANDO ASSIM, AS CHANCES DE CORROSÃO DE ARMADURAS.
Elevação do Potencial Elétrico de Corrosão
O acúmulo de água no concreto maior do que a sua taxa de equilíbrio pode proporcionar uma elevação em módulo do potencial elétrico de corrosão, pois, a água em excesso, facilita a circulação do fluxo de íons dentro do eletrólito, aumentando as chances do processo de corrosão e de sua propagação.
Em números relativos quando o (PC > -200 mV), a probabilidade de surgimento da corrosão ou da sua propagação é praticamente nula. Quando o (PC < -350 mV), a probabilidade de corrosão é muito elevada, enquanto há uma zona de incerteza estatística na faixa de (-200 mV a -350 mV), necessitando, neste caso, de outros métodos complementares para o diagnóstico da corrosão.
Manifestações Patológicas Reais
Estima-se que 70% de todos os casos de manifestações patológicas construtivas de uma edificação são decorrentes apenas da ação direta ou indireta da água proveniente de infiltrações de tubulações de água e esgoto, segundo o professor ROBERTO DE CARVALHO JÚNIOR (Inbec.com.br, 2021). Se somarmos outras infiltrações decorrentes de sistemas de impermeabilização inadequada, pode-se estimar números alarmantes da ação nociva da infiltração e percolação da água nos sistemas estruturais, proporcionado corrosão de armaduras com perda de resistência mecânica e de durabilidade.
Em outros sistemas construtivos, as infiltrações ou percolações da água poderão causar aumento de volume por expansão (EPU) contribuindo para o desplacamento de revestimento de fachada e de outros elementos, além de proporcionar a proliferação de microrganismos, criação de mosquitos em água represada e outros problemas.
Portanto, quando se falar em REABILITAÇÃO DE UM SISTEMA ESTRUTURAL, torna-se imprescindível, antes de qualquer coisa, executar um processo de manutenção corretiva dos sistemas hidrossanitário e de impermeabilização, inspecionando-os e executando as devidas correções. Agindo assim, RESOLVEREMOS UMA DAS PRINCIPAIS CAUSAS DE PROBLEMAS ESTRUTURAIS COM EFICIÊNCIA E BAIXO CUSTO.


